postheadericon (Fan)zines?

Os (fan)zines são publicações alternativas, geralmente com poucas tiragens xerocadas, periódicos do tipo ‘do-it-yourself’(faça você mesmo!), de formatos variados, com ausência de cunho comercial, normalmente direcionados a públicos específicos, geralmente críticos e amplamente voltados ao universo o qual chamamos underground. Os produtores de fanzines ou melhor, os ‘zineiros’, não esperam obter lucro com seu trabalho, ao contrário disso: passam a tirar do próprio bolso o dinheiro para ver o resultado do seu trabalho passar de mãos em mãos. A regra número um dentro de um “manual de diagramação de um fanzine” é a liberdade de expressão. E isto basta.
Sem um formato preestabelecido, os assuntos que abrangem os zines são diversos, conforme a “regra número dois” do manual que nunca vai existir: a anarquia de conteúdos. Os assuntos são variados, como por exemplo: bandas independentes (bandas de garagem, punks, eletrônicas...), subculturas no geral, charges (humor negro, irônicas...), resenhas de filmes (apresentação de filmes B, desconhecidos), mas a característica dominante (baseado na minha vivência com os fanzines brasileiros que tive, dos anos 90 e início do século XXI) certamente é a contra-hegemonia dos seus textos, leituras que não encontramos em jornais diários ou revistas que sempre estão nas bancas. Característica esta que certamente instiga a curiosidade em seus leitores, já que em uma publicação podem surgir temas de hardcore a hip-hop, de culinária vegetariana até o movimento straight edge, de relatos pessoais a debates feministas. São pautas que às vezes até surgem, superficialmente, nos cadernos culturais de jornais diários (não é a toa que muitos jornalistas que trabalham nestes cadernos já foram zineiros), mas certamente já foram publicadas muito antes pelos fanzines.
Os zineiros contam com a ajuda de amigos e leitores que encontram em suas publicações um espaço para divulgar idéias, bandas (através de entrevistas, resenhas, críticas, contato), ilustrações, quadrinhos e também tem seus fanzines divulgados: os zineiros anotam todos os endereços de pessoas conhecidas que também os produzem, fazem um breve relato sobre a publicação, sua temática, os assuntos abordados e depois divulgam em uma seção para que outras pessoas entrem neste círculo de amizades e conheçam outras publicações. A relação de amizade também pode surgir devido a isso, já que a troca é bastante comum nessa “sociedade zineira”, que conta com shows e amostras independentes para distribuí-los (apesar de hoje quase nunca ver um zine ser distribuído em shows, eles são escassos). O correio também é bastante utilizado para trocar e divulgar os zines, foi um meio de distribuição amplamente utilizado no passado (porém todos os anos surgem, misteriosamente, zines na caixinha do correio de minha casa). Se há um valor definido para adquirir o zine, geralmente o preço cobrado para recebê-lo é para custear a postagem, nada mais justo para quem já tem bastante gastos com xerox e tempo produzindo.
Gabriela Gelain